Desde 2017, ao menos 14 mil famílias foram removidas de suas moradias na Região Metropolitana de São Paulo. Após a saída a grande maioria dessas pessoas vai para favelas e ocupações.

 

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O Observatório de Remoções mapeia de forma colaborativa os processos de remoção e ameaças de remoções de famílias de suas moradias desde 2010. Esse trabalho dá visibilidade a um fenômeno histórico e sistemático, que têm impactado diretamente a vida de milhares de pessoas, marcadas pela precariedade habitacional e pela transitoriedade permanente, ou em outras palavras, múltiplos deslocamentos forçados.

A última versão pública do mapeamento[1] refere-se ao período de janeiro de 2017 a abril de 2018 e mostra o avanço de remoções na metrópole, atingindo principalmente o centro histórico da capital – ocupações de edifícios – mas também em franjas periféricas, aonde tem ocorrido um aumento de formação de novos assentamentos precários. No centro antigo da cidade de São Paulo, destacam-se as remoções e ameaças no bairro dos Campos Elíseos, onde se localiza o fluxo da cracolândia., com a implantação de parcerias público-privadas.

Em Campos Elíseos, ainda em abril deste ano, foi removido um quarteirão inteiro – no lugar está prevista a construção do Hospital Pérola Byington. Cerca de 250 pessoas que viviam ali foram removidas sem tempo hábil para planejar uma mudança digna, e apenas uma parte delas recebeu o auxílio aluguel, que corresponde a R$400,00/mês. Como o valor do auxílio é insuficiente para arcar com um aluguel na região central, a maioria dessas pessoas se deslocou para outros ocupações ou para favelas. Entre os destinos estão a Favela do Moinho, favelas em Nova Cachoeirinha (Zona Norte) e, inclusive, a ocupação de moradia instalada no Edifício Wilson Paes de Almeida, que recentemente desabou após um incêndio.

O avanço dos Projetos de Intervenção Urbanística (PIU) também ameaça remover muitas comunidades – no mapeamento verificamos ao menos 30 mil famílias ameaçadas na região metropolitana. Além do PIU Terminal Princesa Isabel, cujo objetivo é acoplar projetos de revitalização dos Campos Elíseos a partir da concessão do Terminal; destaca-se o PIU Arco Jurubatuba, que será discutido na Câmara Municipal em breve, e ameaça remover 42 comunidades inseridas no perímetro do projeto, a grande maioria já consolidadas.

As remoções têm como consequência aprofundar ainda mais a tragédia da habitação na metrópole, pois cria um círculo vicioso que desloca milhares de pessoas e as abandona em condições cada vez mais precárias. O caso das remoções na cracolândia e o incêndio ocorrido na ocupação do Largo Paissandu, ilustra de forma trágica o que acabamos de afirmar.

Para facilitar o canal de denúncias sobre processos de remoção, o observatório lançou recentemente um número de whatsapp específico para receber informações. Caso queira reportar alguma informação basta apenas enviar uma mensagem para o número: (11) 9.9565-0939.

[1] Os dados foram levantados a partir de um canal de denúncias, do acompanhamento de notícias veiculadas na mídia e de contatos junto à movimentos, lideranças e instituições de defesa jurídica.