Celebramos uma vitória histórica para São Paulo: a abertura do concurso público para o projeto do Parque Municipal do Bixiga. Este  não é apenas mais um concurso, mas o resultado  de uma mobilização de mais de 40 anos da sociedade civil, que vai transformar  um terreno privado, destinado a ser mais uma torre corporativa ou residencial  em um  respiro de natureza, um parque público para os novos tempos.

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A luta pelo Parque do Bixiga foi liderada por Zé Celso Martinez Corrêa e o Teatro Oficina, que contracenando com o grupo Silvio Santos, proprietário do terreno vizinho ao teatro,  ganhou corpo com o apoio dos moradores do bairro e de uma coalizão de organizações que se recusaram a aceitar que aquele espaço fosse regido pela lógica da rentabilidade máxima, inscrita hegemonicamente na política urbana da cidade. Assim como ocorreu no Parque Augusta, o Parque do Bixiga nasceu de um desejo coletivo de ousar, ir além, de defender direitos dos humanos e da natureza. 

O que torna este edital, organizado pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil – IABsp e pela Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, exemplar são os seus aspectos inovadores e regenerativos. Pela primeira vez no Centro Expandido, um projeto de parque adota como diretriz central a renaturalização de um córrego. O Córrego Bixiga, que atravessa a área, deixará de ser um canal oculto para se tornar um elemento vivo e aberto, permitindo que suas margens sejam usufruídas pela população. Além disso, o edital incorpora demandas inovadoras como a implementação de agroflorestas e hortas comunitárias, propondo uma nova forma de pensar a natureza, o alimento e a adaptação climática na metrópole.

É fundamental destacar que estas definições não foram construídas de forma tecnocrática. Elas são fruto de um processo participativo, fundamentado em oficinas com a população e escuta ativa, garantindo que o projeto final atenda às reais necessidades do território e valorize a memória local. Ao contrário do concurso anterior organizado pelo mesmo IAB – do Centro Administrativo dos Campos Elísios – aonde as definições projetuais derivaram do modelo de rentabilidade pretendido pela PPP (Parceria Público Privada) e ignorando solenemente o território, a memória e a história do lugar, lançaram um edital sobre uma tábula rasa, este concurso desafia os participantes a colocar o urbanismo a serviço da vida. 

Serviço para profissionais e interessados:

O concurso é aberto a arquitetas e arquitetos do Brasil e do exterior (com registro ativo no Conselho de Arquitetura e Urbanismo – CAU).

  • Inscrições e envio de propostas (1ª Fase): Até 22 de março de 2026.
  • Seleção final (2ª Fase): De 7 a 25 de abril de 2026.
  • Resultado final: 4 de maio de 2026.

As informações completas e o edital detalhado estão disponíveis no site oficial do concurso: https://concursoparquedobixiga.org.br/